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Friday, November 18, 2016

NASCEU!!!!!

Rapaz, e não é que aconteceu mesmo??!!
Saiu nossa primeira matéria impressa sobre vinhos aqui nos EUA.

Fazemos parte agora do SELETO grupo de colunistas de um jornal voltado para a comunidade brasileira em Orlando e nos EUA em geral, chamado Nossa Gente. Nossa coluna mensal será voltada ao Vinho e Gastronomia, porém com mais ênfase no vinho e tudo que engloba essa paixão, como educação, cultura, dicas, que fazer (ou deixar de), oque tomar, onde ir


(clique na foto para ir ao link da reportagem digital)


Apesar de não termos atualizado tanto o nosso blog (o Uncorked né, porque o da Dani, o sesouberteconto tá super atualizado, com posts quase semanais).

Bom, acho que com essa nova oportunidade, teremos mais gás pra atualizar o blog mais frequentemente, com novidades. 

Como o blog é uma parada mais pessoal, a linguagem aqui é um pouco mais chula que oque faremos na coluna do Nossa Gente, por motivos óbvios...rs, mas o assunto será o mesmo!!!

É isso ai, galera, pros que estão aqui no Norte e tiver acesso ao Nossa Gente impresso, cópias são deixadas em todas as lojas e restaurantes brasileiros. Pros que estão em terras tupiniquins, sempre terá o blog ou a página digital do Jornal.

É isso ai!!! Vamo que vamo e até breve!!!

Cheers!!

Thursday, September 22, 2016

Julgar um livro pela capa




Julgar ou não um livro pela sua capa ( Ou vinho pelo seu rótulo).
Quantas vezes já ouvimos esse jargão “Nunca julgue um livro pela sua capa” ?
Nossas mães, pais, avós, professores, etc., sempre nos falavam isso, mesmo quando a última coisa que se referiam era de fato um livro.
Essa frase pode ser incorporada em várias instâncias de nossas vidas, desde quando falamos de alguma pessoa ou algo muito mais importante que apenas a capa de um livro, no sentido literal da frase.


O que isso tem a ver com o mundo enológico? Simples,  quem nunca comprou um vinho pq achou o rótulo irado, que atire a primeira pedra.
Algumas fontes dizem que essa arte em rótulos em garrafas de vinho vem da Grécia Antiga, mas na verdade os primeiros detalhes em rótulos foram encontrados no Egito antigo, incluindo informação quanto a safra, região, etc. Informações essas que são obrigatórias até hj por lei e que na verdade só está ficando cada vez mais específica.
Deixarei pra falar das informações técnicas de rótulos em outro post. É uma parada meio chata, mas precisa falar pq tem sim coisas interessantes e dá pra filtrar várias coisas, principalmente sem conhecer maiores detalhes do produtor.


Bom, voltemos à “Capa do Livro”.
Eu lembro que, quando eu era pequeno, eu adorava ir à Bienal do Livro em SP. Quem me conhece bem sabe que nunca fui muito de ler, mas eu adorava ir na Bienal pra ver os livros (ou capas). Sim, comprei alguns por causa da capa. Fazer o que? Eu sou muito visual. Adoro desenhar, gostaria de ter aprendido a pintar quadros. Sei que é só levantar a bunda, arrumar o material e meter tinta. Quem sabe um dia...

Anyways, voltando à arte em rótulos. Apesar de não ser sempre, acredito sim que vc consiga identificar algumas coisas sobre o produtor (fora as informações técnicas escritas nele), mesmo que muito superficialmente, olhando pro rótulo.
Não custa nada lembrar que, claro, isso não é uma regra. É apenas uma opinião de quem já viu algumas várias centenas de rótulos.
Dá sim pra você formar um certo pré-conceito de um vinho/produtor dependendo do rótulo. Se o papel usado é de boa qualidade, a impressão/tinta são de boa qualidade, até a fonte usada. Mano, se o cara usou uma font estilo uma  COMIC SANSinha sem vergonha, usando um papel meio que plastificado, daqueles que grudam duma maneira que não tem acetona que tire, muito provavelmente o vinho não será grande coisa. O cara precisa ter um pouco de carinho na apresentação do seu produto, no meu ponto de vista.
Se o cara não tem verba nem pra escolher um material melhor, ou investir num design legal pro rótulo, ele dificilmente terá verba pra produzir um vinho de alta qualidade. Note que o DIFICILMENTE  (acima) está grifado e em negrito, porque isso não é uma regra talhada em pedra.
Claro, pelamordedeus, não vá agora achar que se o rótulo é feio que mto provavelmente o vinho é ruim. Não to falando isso, mas fique sim com uma pulga atrás da orelha.
Claro, como grande maioria das coisas no mundo do vinho, a resposta de muitas perguntas é “Depende” ou “não necessariamente”.
P: “Então todo vinho com rótulo feio é ruim?”
R: “Não necessariamente”

P:”Então todo vinho com rótulo de alta qualidade será bom?”
R: “Não necessariamente”

Por exemplo, se vc for ver os vinhos do velho mundo (França, Itália, Espanha, Portugal, etc..) os rótulos são super tradicionais, às vezes de centenas de anos atrás, ou no caso de alguns produtores em particular, os caras tem um produto tão foda que ele realmente não precisa investir em design de rótulo.
Nele tem o nome da vinícola, provavelmente um desenhinho sem vergonha do Chateau (Finca, Bodega, o que seja), a safra e punto. Rótulo colado pela avó do produtor, garrafa por garrafa. Isso tudo tb “pode”, não to falando que não pode. Muito pelo contrário. Pode e deve. Mas os caras tem o produto pra segurar a barra.

Por outro lado, e isso acontece também muito no Novo Mundo, os caras são tão oitavo dan em Marketing, que às vezes o vinho é super fraquinho mas o rótulo é tão irado, que vc nem acaba ligando se o vinho é bosta.

Existe um estudo que diz que em torno de 27% dos vinhos comprados, o consumidor não faz idéia do que tem dentro da garrafa. Compra feita por indicação de amigo, garçom, ou algum formador de opinião que indicou. E cada vez mais, esse estudo também diz que compra-se vinhos dependendo da arte dos rótulos.

Vou pegar alguns exemplos.  Alguns dos “rótulos” mais irados que já vi, onde os vinhos são mto bons, ou onde o rótulo é bem meia-boca, porém o vinho ótimo, outro com rótulo lindo e o vinho meia-boca

1 – Um produtor californiano que manda mto nos rótulos, um dos meus preferidos e os vinhos são TOP, é o Orin Swift, de Sta Helena, CA


- Mercury Head – Cab. Sauvignon ANIMAL!!! Pensa num C.S. Napa, soco na cara! Esse é um. O “rótulo” é um dime (moeda de 10 centavos americanos) feito de mercúrio, uma edição limitada produzida de 1916 a 1945. O enólogo responsável por esse vinho colecionava essas moedas quando criança e depois de adulto, recebeu uma dessas moedas no troco, oque acabou dando a idéia pra ser a “capa do livro” de sua autoria.

2 – Turley Wines – Um dos primeiros, se não o primeiro Zinfandel que me foi apresentado. Californiano, um dos melhores vinhos que já tomei. Saquem só o rótulo. Simples, sem mto fru-fru. Turley escrito em um micro alto-relevo, dourado

Pátcha vinho!!! Complexidade absurda. Se você procurar a palavra Zinfandel no dicionário, deveria ter a foto desse vinho como sendo a descrição da palavra. Fruta mto fresca, “espinha dorçal” super presente, ou seja, é daqueles que vc bebe e fica tentando entender oque acabou de acontecer.
Turley tem vinhedos em vários lugares na california. Eles produzem na sua grande maioria Zinfandel, mas Turley tem vinhedos em vários lugares na california. Eles produzem na sua grande maioria Zinfandel, mas teve sua primeira safra de Cabernet Sauvignon há uns 3 anos atrás. Muito bom também, mas os Zins são fenômenos.

3 – Charles Shaw ou mais conhecido como Two Buck Chuck

Vinho da rede de supermercados Trader Joe’s.
Tá, legal legal, mas se for para pra ver a QUALIDADE, é completamente discutivel (Sim, vou tomar esporro da Dani por isso). Mano, por 2.99, sinceramente, não tem como ser de estupenda qualidade. Claro, nós compramos as vezes tb, só pra ter aquele chardonnayzinho madeira, engana trouxa, pra dar uma refrescada na serpentina. Só  não ache que seja uma jóia porque não é. 


4 – E um exemplo do velho mundo, de um dos vinhos mais caros do mundo. Chateau Margaux.

Simples, pá e bola. Sem mto lero-lero. Também, com um nome desse, não precisava nem ter rótulo 
Bom,  agora uns exemplos de rótulos de produtos do clube de vinho NAKED WINES, onde assinamos e recebemos remessas de 2-3 meses a 2-3 meses. Vinhos de na média 15 doleta. Claro tem uns vinhos ótimos que repetimos em quase todos os nossos pedidos, mas tem tb alguns que não são GRANDES coisas. Não são péssimos (não sei se demos sorte), mas tem uns um pouco menos elaborados, porém com rótulos irados. Tanto que temos um lustre em casa onde tem lugar pra colocar garrafas de vinho vazias, pra decorar e grande parte das garrafas que temos são da Naked Wines. (Veja abaixo alguns exemplos). A do meio não é da Naked Wines, mas acho esse rótulo irado.

          


Como já disse acima, claro que já comprei um vinho porque achei o rótulo lindo e fui ver, o vinho era de qualidade MTOOO discutivel. Parabéns, produtor, me enganou. Mas só por uma vez. Guardei oque de fato prestava, que era a garrafa, e nunca mais....moving on.

Resumindo, as vezes eu julgo sim o “livro” pela capa. Não devo? Oh well!!! 






Wednesday, August 31, 2011

Irmãos de mãe solteira



No começo de Julho fomos jantar na casa de uma familia de amigos que moram aqui perto da gente, pois eles haviam nos convidado para um jantar árabe na casa deles.

Teve de tudo, Hummus, babaganuche, Kibe, Esfiha...como falamos aqui, "the whole 9 yards"...

O anfitrião, brasileiro, muito amigo nosso, também é tomador de vinho. Só que no caso dele, só italiano...rs. Você abre a adega dele, SÓ italiano! Impressionante. Se tiver algum americano lá, na certa fomos nós que demos...

Pela comida árabe ser BEM temperada, com bastante ervas, especiarias, pensei em levar um vinho que tb tenha características parecidas, e ver qual é.
Pensei na hora num Zinfandel que tinhamos, especificamente do produtor Joel Gott, da Califórnia.

Não lembro de ter falado sobre a cepa Zinfandel no blog. Essa foi outra "pérola" que encontrei aqui quando comecei a trabalhar com vinho nos EUA.
Zinfandel é uma das "Margueritas" dos americanos (Pra quem esse post é o primeiro a ler no Blog, veja nos Blogs anteriores sobre as pizzas margueritas).

Ela, na verdade, é um clone da uva italiana PRIMITIVO, que veio pros EUA em torno de 1850, trazida pra California quando Viveiristas como Frederick Mackondray foram pra lá atrás de ouro.

Aí tá, Frederick resolveu ir pra Califórnia. Por ser botânico e sabendo que ia ficar na região por um tempo, resolveu levar uma videirinha de Primitivo.

Resultado: hoje Zinfandel toma 11% das plantações de viti-viniferas na Califórnia. Fora os EUA (e Itália com a Primitivo), não tem mais nenhum lugar produzindo Zinfandel no mundo. Se tiver, é em BEEEEEM menor escala, sendo insignificante comparado ao Zin daqui.

Pra quem nunca tomou um Zinfandel, é um vinhozinho bem interessante. Ele é bastante escuro, tânico ("seca" a boca), e tem uns toques de pimenta, especiarias,anis, MTO legal. Logo no primeiro gole vc já sente a pimenta.
Dá pra harmonizá-lo com mais ou menos tudo que você faria se tivesse tomando um Cabernet Sauvignon, pelos taninos e estrutura do vinho, mas ele segura MUITO a onda com comidas apimentadas e temperadas! Talvez por isso que americano ame o Zinfandel. O povo pra gostar de pimenta assim lá longe!!!!!

Por isso a escolha em levar um Zin pro jantar árabe. E... ficou bem acompanhado!
Agora, o mais legal é que, ao chegar, vi que esse nosso amigo já tinha uma garrafa de Primitivo.
Não deu outra:  abrimos as duas garrafas e fiquei impressionado com a semelhança.
Achei muito legal por poder comparar e ver que eles são muito parecidos, mas sabe aquela caracteristica tipica dos vinhos italianos, alto teor alcóolico,  gostinho de terra? Bem presente, quando comparado com a versão anglo-saxônica, que tem bem mais fruta, mas continua com as especiarias, uma pimentinha....

A cepa Zinfandel é uma uva que cresce em cachos grandes, e as uvas ficando bem juntas umas as outras. Ela amadurece rápido e tem um nivel alto de açúcar. Ela tb é bem conhecida por fazer vinhos alcoólicos, crecendo bem em clima ameno, nem mto frio, mas tb nao mto quente. Pelas uvas crescerem bastante juntas uma das outras, muito calor pode acabar proliferando Botrytis - um fungo que não é bem vindo pra esse estilo de vinho (diferente do vinho SAUTÉRNES, que é produzido com uvas "Botrytizadas").

Tentaram fazer o Zinfandel menos alcoólico, mas é como nego querer produzir Coca-Cola transparente. Não virou. Não adianta querer mudar a caracteristica da coisa, ainda mais num Vinho.
Quem não gosta de vinho muito alcoólicos, que não tome, ué....

Ele tb não é vinho de guarda. Ele não ficará muito melhor com envelhecimento. Os de melhor qualidade até que dá pra guardar uns 5, 7 anos, mas não sei se vale a pena a espera. Fizemos uma comparação enquanto eu trabalhava na Vines, tomando um Pine Ridge de 2003, com um de 2009. Quase não vi diferença....

Eu lembro que esse Zin que tomamos, foi o mesmo que eu tomei pela primeira vez em 2009, do Joel Gott. Eu amei, e dele comecei a provar outros. Agora, o melhor que tomei até hoje é do produtor Turley. Esse Turley tem vááários vinhedos em lugares diferentes, todos com Zinfandel. Vinho delicioso e não muito barato (U$45, U$50), dependendo do vinhedo de onde vem. O melhor que tomei deles é do vinhedo DUSI.
O legal desse Turley, é que até pouco tempo atrás, eles só vendiam pra quem eles conheciam. Donos de restaurantes, amigos da vinicola, colecionadores ou seja, pessoas que eles tinham certeza que não iam banalizar os produtos dele.
Mas o Joel Gott é uma opção mais em conta (U$20), e é um belo vinho.
O Primitivo que tomamos foi Masseria Pietrosa. Não conhecia...vinho mto bom, ótima estrutura, BEM italianão, bem escuro, bem tânico....valor relativamente igual ao Joel Gott, em torno de U$18,U$20....

Como disse acima, Zinfandel é uma das, se não A uva caracteristica da viticultura americana. Ela é MTO vendida aqui, e é o motor do carro-chefe daqui. Mas na verdade, o Zin tinto ta sendo mais consumido nos últimos 10 anos pra cá. O que realmente é consumido é o famoso White Zinfandel.
Se vc entrar em qualquer 7-11 da vida, de cara vc já se depara com um stand com vinhos pra venda a 5,6 doláres, e na sua grande maioria do produtor Sutter Home. O "Seu Sutter Home", numa época onde a venda de Chardonnay no país era incrivel, e a oferta não tava conseguindo acompanhar a demanda, no começo dos anos 70,  meio que sem querer inventou o White Zin.
Feito da uva Zinfandel tinta, pra conseguir uma concentração de taninos, eles usaram um método chamado de Saignée, onde se retira parte do suco sendo fermentado, assim o vinho fica menos "aguado", com uma estrutura melhor.
Esse suco então rosa, foi fermentado separado, sendo então inventado o Dignissimo, porém sinônimo de vinho barato, White Zinfandel.
Pra quem nunca tomou um White Zin, ele é BEM facinho de tomar, meio docinho, ótimo pra não bebedores de vinho....só que esse "docinho", mais uma vez, foi por acaso.
Certa vez, lá pelos anos 74, 75, num belo dia, no meio da fermentação desse suco extraído pra fazer o White Zin, ocorreu (não sei como se chama em Português) uma Stuck Fermentation, onde as leveduras morrem antes de comer todo o açucar do suco, deixando então de produzir o alcóol, deixando o vinho docinho....

Pronto, essa descoberta foi que nem achar ouro na Serra Pelada....E por ser uma uva que dá muito fácil aqui e pelo estilo do vinho, a fruta não precisa ser de grande qualidade pra virar um vinho que venda, e isso acaba sendo viável vendê-lo BEM barato.
Por exemplo, ontem fomos na ABC* comprar uns vinhos diversos e por minha sogra amar White Zin, compramos 2 garrafas. Preço? U$9.98/duas garrafas, da Beringer.
Eu particularmente não sou fã desse vinho, mas dá pra entender pq vende tanto. É muito fácil de tomar, e é barato.

Por outro lado o Zin tinto foi outra ótima surpresa dos produtos americanos. Virei fã!
Com certeza irei escrever mais sobre o Zinfandel num futuro breve! E conforme formos tomando outros, vou falando aqui.

Cheers

*ABC é um mercadão só de bebidas alcoólicas, supermarket style.